Ansiedade em Jovens: por que a sua geração é a mais ansiosa de todas

Retrato de jovem pensativa, representando a ansiedade em jovens
Retrato de jovem pensativa, representando a ansiedade em jovens

Você abre o celular e três coisas acontecem ao mesmo tempo: um prazo que não cumpriu, uma vida alheia perfeita no feed e a sensação de estar ficando para trás. O coração acelera. A cabeça já está em amanhã antes mesmo de terminar o hoje.

Se isso soa familiar, você não está sozinho. A ansiedade entre jovens deixou de ser exceção e virou quase um traço da geração.

Mas há uma diferença importante entre o nervosismo do dia a dia e um transtorno de ansiedade que merece atenção. Este texto ajuda a distinguir os dois.

Os números confirmam: os jovens são os mais ansiosos

Não é impressão. A pesquisa Covitel 2023 mostrou que 26,8% da população brasileira tem diagnóstico de ansiedade — e entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice sobe para 31,6%. Entre as mulheres jovens, chega a 34,2%.

O Brasil, aliás, é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos países com maior prevalência de transtornos de ansiedade no mundo. E, desde a pandemia de covid-19, a OMS estima que ansiedade e depressão aumentaram cerca de 25% globalmente.

Ou seja: se você sente que a sua geração é mais ansiosa, os dados estão do seu lado.

Por que justamente os jovens?

Não existe uma causa única, mas alguns fatores se somam nessa fase da vida:

  • Transições intensas: entrada na faculdade, primeiro emprego, saída da casa dos pais. Muita mudança em pouco tempo.
  • Comparação constante: redes sociais expõem, o tempo todo, versões editadas da vida dos outros.
  • Futuro incerto: mercado de trabalho, clima, economia. A sensação de que “nada é garantido” pesa.
  • Pressão por desempenho: a ideia de que é preciso ser produtivo, bem-sucedido e feliz ao mesmo tempo.

Nada disso é fraqueza. É contexto. E entender o contexto ajuda a parar de se culpar por sentir o que sente.

Ansiedade normal x transtorno de ansiedade

Sentir ansiedade antes de uma prova, entrevista ou primeiro encontro é esperado — e até útil. A ansiedade é um mecanismo de alerta que nos prepara para o que importa.

O problema começa quando ela deixa de ser pontual e passa a ser constante. Alguns sinais de que a linha foi cruzada:

  • Preocupação excessiva que você não consegue desligar, mesmo sem motivo claro
  • Sintomas físicos frequentes: coração acelerado, aperto no peito, falta de ar, tensão muscular
  • Dificuldade de concentração e de dormir
  • Evitar situações (aulas, encontros, apresentações) por medo de passar mal
  • Cansaço que não melhora com descanso

Quando a ansiedade começa a limitar a sua vida — o que você faz, aonde vai, com quem fala — ela deixou de ser um sentimento passageiro e virou algo a ser cuidado.

O que ajuda no dia a dia

Algumas estratégias têm respaldo na literatura e podem reduzir a intensidade dos sintomas:

  • Movimento: atividade física regular tem efeito comprovado sobre ansiedade e humor.
  • Sono protegido: dormir mal amplifica a ansiedade; horários regulares ajudam.
  • Menos comparação: reduzir o tempo de tela, sobretudo em redes que disparam gatilhos.
  • Respiração e atenção plena: técnicas simples de respiração ajudam a “desacelerar” o corpo em picos de ansiedade.

Essas medidas ajudam, mas não substituem avaliação quando o quadro é intenso.

Quando procurar um profissional

Se você se identificou com vários dos sinais de transtorno — e principalmente se a ansiedade está atrapalhando os estudos, o trabalho ou as relações — vale conversar com um profissional. O quanto antes, melhor. Buscar ajuda não é dramatizar; é resolver antes que a bola de neve cresça.

O tratamento pode envolver psicoterapia, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico. A combinação é definida individualmente.

Pedir ajuda cedo é, provavelmente, a decisão mais madura que a sua geração pode tomar em relação à saúde mental. E não, você não precisa esperar “piorar” para merecer cuidado.

Os dados de prevalência citados aqui podem ser consultados na cobertura da CNN Brasil sobre o estudo Covitel.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.

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